sábado, 12 de janeiro de 2013

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fonte : http://www.portasabertas.com/religiosidade.php
Quando uma pessoa se converte e inicia sua caminhada espiritual cristã, ela depende profundamente da sua igreja e do apoio de seus irmãos em Cristo, no sentido de ajuda-la em passos iniciais que a levarão a conhecer a Deus e a amadurecer a sua fé.

Quando ela alcança a maturidade espiritual, depois de uma longa jornada de lutas, dúvidas e aprendizado, o seu relacionamento com a igreja muda radicalmente. Ela já não depende mais do leite da doutrina espiritual, mas de alimento sólido, isto é, de ensinamentos mais profundos, que a ajudarão a desenvolver o caráter de um verdadeiro adorador, de um verdadeiro discípulo de Cristo.

Uma vez desenvolvido esse caráter, o cristão passa a fazer parte do corpo de Cristo, ou seja, deixa de ser um mero frequentador da igreja para ser parte efetiva da igreja. Não faz mais sentido ele continuar sendo apenas um participante dos cultos, da Escola Bíblica e das células. Como discípulo de Cristo, é natural e esperado que ele produza cada vez mais frutos, como afirmou Jesus.

Alguns cristãos entretanto parecem estacionar na etapa intermediária de sua jornada espiritual, tornando-se religiosos, sem jamais chegarem à estatura de um verdadeiro discípulo de Cristo. Por quê isso acontece? A explicação está no fato de que para se tornar um discípulo, o cristão precisa assumir uma atitude clara e firme nesse sentido. Ninguém se torna um discípulo automaticamente. Como na hierarquia militar, o soldado somente se torna um oficial quando demonstra possuir as qualidades e os requisitos necessários para isso. Entretanto, nenhum soldado é obrigado a se tornar um oficial. Jesus também escolheu seus discípulos com base em suas qualidades espirituais, mas não obrigou nenhum deles a segui-lo. Eles deram esse passo por sua livre e espontânea vontade.

Muitos bons soldados relutam em se tornar oficiais por prezarem mais o conforto de uma vida com poucas responsabilidades e desafios do que a oportunidade de serem mais úteis, utilizando a plenitude de seu potencial. A igreja também está cheia de pessoas assim, que relutam em assumir posições que requerem mais esforço, renúncia e dedicação e se apegam ao conforto de uma vida meramente religiosa.

Muitos cristãos ainda se tornam religiosos por se sentirem incapazes de fazer a obra de Deus. Eles se esquecem, ou não creem, que Deus pode capacita-los, como fez com os discípulos de Jesus. Deus não precisa necessariamente de homens fortes e capazes, como Paulo, mas essencialmente de pessoas honestas e disponíveis, ainda que sejam espiritualmente fracas e indecisas, como Pedro. Como disse Jesus, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.

O cristão religioso cria para si mesmo uma zona de conforto, formada por uma agenda de atividades rotineiras e se fecha para a voz do Espírito em sua alma. Ser um discípulo de Cristo não implica necessariamente em dedicar 100% do tempo a obra de Deus, mas significa estar disponível e aberto a realizar atividades que nem sempre se encaixam em uma rotina e que nem sempre correspondem aos nossos propósitos pessoais. Cada cristão tem um chamado para servir a Deus, mas se ele não for humilde e receptivo, jamais descobrirá qual é este chamado.

Uma forma mais sutil de religiosidade pode ser encontrada no âmago das igrejas cristãs. Trata-se do que eu chamo de "igrejismo", que nada mais é que a limitação do serviço cristão ao âmbito da igreja. Este tipo de religiosidade caracteriza aquelas pessoas que se entregam a uma programação febril de atividades em suas igrejas, mas se esquecem de sua vida cristã no relacionamento com seus parentes mais próximos, vizinhos e colegas de trabalho. A igreja se torna para eles como um clube altamente seletivo, de cuja elite administrativa eles se sentem parte.

Um amigo, pastor de minha igreja, disse-me certa vez que muitos cristãos precisam aprender a ser gente, o que é profundamene verdadeiro. Ele quiz dizer com isso que precisamos descer do pedestal, e ir ao encontro das pessoas, sem julgamento e sem discriminação. Ouvi de outro pastor também uma outra grande verdade: Deus não é evangélico, isto é, Ele não é religioso. Deus não se preocupa com a agenda evangélica ou de qualquer outra religião, Ele se preocupa com a obra redentora de sua criação.

Jesus mostrou claramente a diferença entre ser religioso e realizar a obra do Pai. Se Jesus é efetivamente o modelo de nossa vida cristã, é preciso ter em mente que Ele jamais limitou o seu ministério à pregação da sua mensagem. Ele também curava, libertava e alimentava as pessoas que o ouviam ou que o buscavam. Evangelizar o mundo é a obra mais nobre e mais significativa a que um cristão pode se dedicar, sem dúvida alguma. Da mesma forma, servir a Deus na igreja é uma obra altamente edificante e honrosa para todo cristão. Entretanto, a obra de Deus de forma alguma se limita a isso. O cristão não pode se esquecer de sua responsabilidade social, que prioriza, mas também não se limita, aos irmãos de fé.

Paulo, o apóstolo, foi o maior evangelista que já existiu. Entretanto, ele jamais descuidou do apoio material às suas igrejas. Paulo também instituiu a figura do Diácono na Igreja, sobretudo com o propósito de cuidar do auxílio aos órfãos e às viúvas, atividade esta que era claramente uma das funções fundamentais da Igreja.

Enquanto estamos no mundo, somos corpo e alma e embora seja essencial cuidar da alma, não é possível descuidarmos do corpo e de suas necessidades materiais, como Jesus mesmo nos ensinou:

E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;
E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Mateus 25:31-40 
 

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