quinta-feira, 9 de junho de 2011

O FUTURO DE NOSSAS CRIANÇAS ESTÁ EM NOSSAS MÃOS

http://www.icp.com.br/83verbo.asp

Por Antonio Fonseca

Em 1830, surgiu na Inglaterra um movimento voltado para o ensino de crianças. Segundo consta, um jornalista evangélico chamado Robert Raikes desenvolveu naquele país, durante quinze anos, um trabalho entre os detentos de sua cidade. Raikes percebeu que muitas crianças e adolescentes andavam perambulando pelas ruas, envolvidas com a delinqüência, o vício e a ociosidade e, por conta disso, poderiam ter o mesmo fim das pessoas que ele visitava na prisão. Preocupado com o futuro dos menores, começou, então, a levá-los para a sua igreja, a fim de ensiná-los as Escrituras e, também, outras matérias, como linguagem, aritmética e moral e cívica.

O trabalho foi tão positivo que logo outros obreiros adotaram aquele método, trazendo resultados surpreendestes para todo o país e levando outras nações a exercerem a mesma prática. Foi assim que surgiu o movimento denominado “escola dominical” que temos ainda hoje.

Analisando a questão nos nossos dias, verifiquei que a plataforma principal de programa de governo de um dos candidatos à presidência da República, se eleito, é a educação de período integral das crianças brasileiras. Pois ele acha que a solução para tanta violência que vem acontecendo no nosso país está no cuidado constante que o governo deveria prestar aos brasileiros desde a infância. Interessante notar que, infelizmente, esse candidato não aparece com a mínima chance de vitória em nenhuma das pesquisas de intenção de voto.

Esses fatos me levaram a uma reflexão: se nós, os evangélicos, representamos 18% da população do Brasil, por que esse candidato aparece com apenas 1% nas pesquisas de intenção de voto?

No meu trajeto para o trabalho, pude perceber outro fato interessante: já há algum tempo, tenho observado que, ao parar com o meu carro em um dos semáforos da cidade, várias crianças ficam na esquina, umas fazendo malabarismo, outras vendendo balas e outras tantas pedindo esmolas. Vi que, na mesma esquina, há uma igreja evangélica que está sempre fechada durante o dia. Ela possui grade com, aproximadamente, dois metros de altura e, sobre as grades, cerca elétrica.

Isso me fez pensar o seguinte: será que se Raikes estivesse vivo e fosse dessa igreja ela estaria fechada para aquelas crianças? Então, pensei no que disse Jesus: “Deixai os meninos, e não os estorvei de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus” (Mt 19.14).

Raikes levou quinze anos para perceber que mais valia investir nas crianças de rua do que em projetos nas prisões. Quanto tempo será que vamos precisar para descobrir que dá mais resultado trazer as crianças de rua para dentro dos nossos templos e lhes oferecer educação do que evangelizá-las na Febem ou, depois de maiores, nas penitenciaras? Será que achamos que o problema dessas crianças diz respeito apenas e tão-somente ao governo? Bem, se fato achamos isso, que essa responsabilidade é do governo, por que então o candidato que mais enfatiza a educação das crianças e dos adolescentes como garantia de um futuro melhor quase não aparece nas intenções de votos?

Deixar de votar no candidato que fala em educação o tempo todo pode não ser nenhum pecado, mas deixar as crianças abandonadas à própria sorte e manter os templos com ferrolhos nas portas durante o dia, impedindo a entrada dos pequeninos, é, no mínimo, incompatível com a fé cristã.

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6).

 

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