segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ÍNDIA

ÍNDIA

O perverso quadro social das castas
que condenam milhões à eterna miséria
Texto por Lucimara Magalhães Pereira

Asia Resort
Escrever sobre a cultura indiana é um dos maiores desafios que se pode enfrentar. É como registrar uma simples foto de uma imensurável paisagem: a cultura social indiana. Isso porque a diversidade de culturas da Índia ultrapassa a de qualquer país. Seus costumes são mile e exibem um retrato tanto exótico quanto miserável em todo o território. Para conhecer um pouco dessa sociedade asiática, falaremos, ainda que resumidamente, do seu sistema de castas.nares

Proveniente do hinduísmo, principal religião do país, esse sistema divide a sociedade em

classes, ou castas, expressão mais conhecida. Casta, ou varna, significa “cor”. Essa organização estrutural foi introduzida no país por volta de 2000 a.C., por causa de uma acirrada disputa entre os arianos e os dravidianos. O sistema tem influenciado muitos indianos, comprometendo, até o hoje,

o relacionamento social entre as pessoas.

De acordo com a mitologia hindu, as castas surgiram do corpo de Purusha, ou Puruxa, figura

original da humanidade.

Vejamos como funciona esse sistema:


Em sua forma clássica, as castas se dividem em quatro partes, simbolizadas pelos membros do corpo de Purusha: boca (cabeça), ombros, coxas e pés.



Boca (cabeça): brâmanes

Na verdade, foram os brâmanes (brahmins) que criaram este sistema, com o objetivo de manter

certa hierarquia e domínio sobre as classes mais baixas.

Brahma é um deus. Deus do supremo. E, segundo a tradição, Brahma teve quatro filhos, dos quais geraram as seguintes castas: Brahmins, kshatryas, Vaishyas e Sudras. Pertencem a essa casta

os sacerdotes, religiosos que comandam e dirigem a religião. É a maior e a mais elevada casta.



Ombro: xátria ou rajânia

Os xátrias (kshatryas ou rajputs) pertencem à casta da guerra, do bélico.



Coxas: vaixá ou vaixiá

Os vaixás estão relacionados aos negócios, ou seja, pertencem à classe dos mercadores, dos lavradores e dos artesãos.



Pés: xudra

Os xudras, ou sudras, são inferiores, pertencem à classe dos trabalhadores, para não dizer

escravos. Não se misturam.



Os esquecidos

Com o decorrer dos tempos, foram surgindo outras castas, como, por exemplo, os párias, ou seja,

os excluídos da sociedade. São todos os recusados de suas castas originais por causa de algum

tipo de rebelião (desobediência), ou por decisão própria.

Há, também, a casta dos dálits. Os membros desse grupo não têm acesso à educação, não têm direito à água limpa, não trabalham. São “eternos” inquilinos em sua própria terra e severamente discriminados.

Além dessas, há mais de 3 mil subcastas, provenientes das quatro principais: brâmanes, xátrias, vaixás e xudras.

A explicação para todo esse sistema é a seguinte: se alguém nasceu em uma casta, seja superior

ou inferior, foi devido à sua conduta na vida anterior. Por isso, o carma também é um princípio

dentro do hinduísmo.

Apesar de o sistema de castas ter sido “banido” da sociedade indiana pela Constituição de 1950, ainda está intrinsecamente ligado à mentalidade e ao espírito indiano. Quando uma criança nasce, sua casta já está determinada, porque, desde que a Índia existe, toda a população está sujeita a

esse sistema de divisão de classes. Ou seja, a possibilidade de uma pessoa mudar de vida é

remota, porque, segundo acreditam, ela já é amaldiçoada ou abençoada, desde o nascimento.

Antigamente, as castas não se misturavam de maneira nenhuma, mas, hoje, a relação de uma para com a outra já é menos radical. Todavia, há, ainda, disparidade ideológica e racial entre elas. Em alguns Estados da Índia, a divisão das castas é respeitada e levada a sério. Já em outras

localidades, nem tanto. Tal fato ocorre devido à baixa escolaridade e pouca educação, pois, quanto menos educação, mais arredios os indianos se tornam à liberdade cultural e social.

O budismo, fundado por Sidarta Gautama, embora tenha nascido em berço hinduísta, condena o sistema de casta. Por outro lado, a possibilidade de o sistema de castas ser enfraquecido pelo budismo, ou até mesmo pelo islamismo, é quase nenhuma, visto que esse sistema, a cada dia que passa, tem-se perpetuado.

Rakesh Paul, doutorado em teologia, diretor acadêmico do Seminário Betesda em Goa, na Índia, e casado com a missionária brasileira Valdilene Vieira, afirma que há muita discriminação na

sociedade indiana, devido às castas. Ele conta que, em certa ocasião, um grupo dos xudras passou em frente a um templo dos bramistas e foi severamente punido pelos brâmanes, que colocaram pedaços de metal nos ouvidos dos xudras por terem escutado as músicas que os bramistas ouviam.

Como não poderia deixar de ser, o sistema de castas na Índia é totalmente torturante, pois escraviza

o ser humano a um ciclo inexorável de injustiça e impunidade social.

















http://www.revistapovos.com.br/materias.html
BY CANTINHO DO BOG 1

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